Davi de Jesus do Nascimento

Davi de Jesus do Nascimento, 1997 | Pirapora, MG
@nasceumdavi

Artista plástico, performer e poeta barranqueiro. Gerado às margens do Rio São Francisco – curso d’água de sua pesquisa – Davi trabalha coletando afetos da ancestralidade ribeirinha e percebendo “quase-rios” no árido. Um de seus maiores interesses para a nascença na prática primária da pintura é a terra, mãe inicial. Na fotografia, utiliza o corpo como instrumento de medida do mundo. Corpo-médium, confrontado e confundido com a natureza. Uma natureza aquática, barrenta e silenciosa, que pode ser lida como isca, peixe e pedra.

Guiado por forte escuta familiar, assim como por acontecimentos que remetem à sua comunidade barranqueira de origem, Davi de Jesus do Nascimento toma como pontos de partida de seu trabalho o falecimento da própria mãe e o adoecimento do rio São Francisco. A partir de criações que abrangem ações ritualísticas, vídeos, fotografias, textos poéticos e pinturas terrosas, aborda o ser humano e suas memórias como matéria essencialmente orgânica, entendendo a arte como campo propício à coletivização e ao exorcismo de dores que permeiam a passagem do tempo. Dedica-se ainda à produção de auto-retratos e retratos de si em contextos rurais e urbanos, além de composições a partir de fotografias, alimentos e fósseis de animais, gerando  efeitos que remetem a processos de luto, perecimento e integração que sucedem a morte da matéria. No Bolsa Pampulha, em constante companhia de uma carranca de madeira com peso de 20kg, típica das embarcações do Velho Chico, o artista se afirma como um corpo-embarcação: um corpo-rio que circula em territórios cimentados aos quais não pertence nem quer pertencer.