Sallisa Rosa

Sallisa Rosa, 1986 | Goiânia, GO

Sallisa Rosa é natural de Goiânia, e se dedica a investigações contemporâneas de imagens e temas que a atravessa como a sua própria identidade, o universo feminino, futuro, ficção e descolonização. Seu trabalho se desenvolve a partir da fotografia de indígenas urbanos, “mestiças e mestiços” e pessoas com fenótipos indígenas – uma investigação em torno da identidade nativa contemporânea da cidade.

O que é ser indígena hoje? Recusando a imagem de povos indígenas congelados no tempo, assim como os tratamentos tradicionalmente atribuídos aos mesmos povos pelas artes visuais e a antropologia, os trabalhos de Sallisa Rosa se voltam à trajetória de indígenas urbanos em território brasileiro. Como forma de dar a ver um contexto marcado por violências e migrações forçadas, assim como pelo apagamento de ancestralidades, memórias e rituais, a artista reconstrói um álbum de infância como performance narrativa, no qual os registros fotográficos, inexistentes, cedem lugar a legendas ouvidas e inventadas. Nascida em Goiânia, a artista vive há quatro anos no Rio de Janeiro, em uma comunidade urbana formada por indígenas de diferentes origens, e lembra que não são os indígenas que estão nas cidades, mas as cidades, sim, se situam em territórios indígenas. Durante o programa Bolsa Pampulha, ela propõe dar continuidade à sua investigação sobre indígenas urbanos, dessa vez a partir de fenótipos e memórias encontradas na cidade de Belo Horizonte. Em meio a essa pesquisa, interessa à artista incluir pessoas em situação de rua e também trazer imagens de povos em resistência, buscando a criação de composições entre as imagens desses corpos, documentos históricos e matérias de jornal que relatem a permanente perseguição aos direitos territoriais, políticos e culturais das populações originárias das terras onde vivemos.