Ventura Profana

Ventura Profana, 1993 | Salvador, BA
@venturaprofana

Filha das entranhas misteriosas da mãe bahia, donde artérias de água boa sustentam em fé a bunda, Ventura Profana é carcará, negra travesti nordestina que tem fome e sede. É cantora, escritora, compositora, performer e artista visual. Doutrinada nos templos batistas, investiga as implicações do deuteronomismo no Brasil.

Nascida em Salvador e radicada no Rio de Janeiro, a artista-travesti Ventura Profana problematiza os efeitos sociais, culturais e políticos dos processos de tradução e interpretação de textos bíblicos, historicamente apropriados por projetos políticos de embranquecimento populacional e concentração de poder. Em alguns trabalhos, realiza interferências visuais sobre imagens, objetos e produtos relacionados ao universo cristão, de modo a questionar a associação entre fé e “neutralização” dos corpos. Como em um plano de salvação coletiva, propõe a disputa pela narrativa de Jesus como um corpo dissidente, não hegemônico e não-normativo. Afirmando a si mesma como um corpo apocalíptico, defende a ressignificação e a apropriação do milagre como potência de vida. 

Intitulada Edyficação, sua proposta para o programa Bolsa Pampulha envolve estudos e redesenhos de mobiliários geralmente encontrados em Igrejas, assim como a gravação de um disco em que possa professar, em alto e bom tom, suas palavras de salvação. Ventura dedica-se ainda à criação de uma Igreja capaz de abrigar encontros e rituais coletivos nos quais possa disseminar sua fé entre outros corpos dissidentes da cidade de Belo Horizonte. Se Deus pode ser Deise, como ela se manifesta em nossos corpos?